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Corporativo Reflexão

OU MUDAMOS, OU FICAMOS À DERIVA

Por José Roberto Nogueira da Silva (Bigodinho Volks)

01/02/2022 12h56
Por: Redação Fonte: José Roberto Nogueira da Silva
© Imagem retira da Internet
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O mundo passa por mudanças profundas, e cada vez mais estamos na dependência de produtos que deveriam ser produzidos aqui e que, infelizmente, são importados.

A pandemia do Corona Vírus apenas aflorou o que todo o mundo já sabia: a perigosa dependência de produtos industrializados pela China e o assustador crescimento da presença destes nos mais diversos setores, inclusive na agricultura e comércio. 

Um dos grandes problemas foi a abertura do mercado internacional, nos anos 90, e a grande onda da globalização afetou seriamente um importante setor industrial, o da ferramentaria.

Muitos não entendem, mas esse setor é transversal a todas as áreas industrias, com presença intensa na produção de um simples clip de papel até os mais sofisticados grampos cirúrgicos. De um mero controle remoto da televisão até um preciso equipamentos eletrônicos ou semicondutores. Cerca de 92% dos componentes de um veículo motorizado são fabricados a partir de um molde ou matriz. Parece redundante mas olhar para qualquer lado e observar qualquer objeto é imaginar um ferramental, seja molde ou matriz.

Afinal, a definição de ferramentaria remete a um ramo da indústria metalomecânica responsável pela criação e construção de ferramentais que objetivam transformar matéria-prima bruta em produto acabado, através de processos mecânicos, térmicos, físicos e químicos que levam um determinado material de seu estado líquido ou sólido, através das grandezas de força e pressão, a mudar sua forma inicial para a forma final desejada. No sentido mais restrito, é a fábrica de ferramentais ou estabelecimento que as vende. 

Poucos percebem que a indústria do ferramental é estratégica para o desenvolvimento de qualquer país. Ela traz produtividade, volume e qualidade para os bens produzidos. Ela gera emprego e renda de alto valor. Ela permite que o país seja autossuficiente tecnologicamente, garantindo o domínio do conhecimento (know-how), da inovação e da evolução. 

Perdemos tempo em avançar nessa indústria? Com certeza. 

Deixamos grandes oportunidades de negócio passarem à margem? Sem dúvida. 

É tarde para reagir? Absolutamente não. 

Nunca é tarde para recomeçar uma história de sucesso. O Brasil já foi exportador de ferramentais nos idos dos anos 60 e 70. E pasmem, inclusive de ferramenteiros, transferidos para as fábricas sede de montadoras automotivas importantes dos Estados Unidos da América e da Alemanha, tal o nível de competência e dedicação destes profissionais.  

Excelente. E o que precisa ser feito? Inicialmente é necessário articular uma política robusta, tripartite com representantes dos trabalhadores, governos e empresários. É preciso parar, pensar, trazer a academia para fomentar pesquisa, desenvolvimento e inovação. É imperativo pensar à frente, analisando o passado, considerando o presente e visualizando o futuro. 

É mandatório consolidar o entendimento de que a ferramentaria, além de ser importante, é estratégica para a indústria e para o crescimento do Brasil.

Precisamos pensar, planejar, projetar, desenvolver e construir ações, que devem ser estruturadas com metas a serem alcançadas em curto, médio e longo prazos, e não como meras atividades passageiras como alguns pensam. Devemos ver o produto final sendo produzido com conteúdo nacional, gerando empregos de qualidade e melhor renda aos trabalhadores do setor, além de resultados positivos aos investidores. 

Em resumo, é urgente aproximar e reunir essa cadeia que pensa para, a partir do alto valor agregado no conhecimento, enriquecer economicamente tanto as regiões produtivas específicas quanto o País.

Se estamos pensando em uma nação forte, precisamos pensar em uma indústria forte. E, para retomar o rumo do barco e não ficar à deriva, devemos mudar já. Afinal, parafraseando Albert Einstein, insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Colunista José Roberto Nogueira
Sobre Colunista José Roberto Nogueira
Dir. do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Coordenador Geral da Representação Interna da Volkswagen e do Conselho Nacional do Senai
São Bernardo do Campo - SP
Atualizado às 00h42 - Fonte: Climatempo
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